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Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, da Argentina, têm reunião marcada para 18 de novembro, provavelmente em Brasília, para tentar resolver os problemas comerciais que estão sem perspectiva no plano técnico das negociações. A informação foi dada ontem pelo secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral. Ele também revelou que o ministro Miguel Jorge informou à ministra argentina da Produção, Debora Giorgi, que o assunto é presidencial. Ela queria uma reunião o mais rápido possível.
O governo brasileiro flexibilizou as regras, liberando mercadorias perecíveis e outras que estavam a caminho do Brasil antes de 14 de outubro. Naquele dia, deixaram de ser automáticas diversas licenças de importação de produtos argentinos como, por exemplo, vinhos, farinha e pré-mistura de trigo, pescados, frutas secas, geleias, alho, pneus etc.
De acordo com o diretor da consultoria em comércio exterior Center Group, Gustavo Segre, a atitude brasileira pode ser interpretada como sinal de boa vontade ou, talvez, resposta a algum aceno de maior acesso aos produtos brasileiros pelas autoridades argentinas. Ele informou que já obteve a liberação de todas as mercadorias de clientes que estavam em trânsito quando as licenças deixaram de ser automáticas.
O Brasil endureceu o jogo com seu principal parceiro do Mercosul porque as medidas protecionistas - licenças não automáticas - adotadas pela Argentina, no ano passado, acabaram dando mais acesso a mercadorias chinesas, em vez de estimular a produção local.
Fábio Ciocca, diretor da International Star, empresa de logística, também informou que a situação melhorou na fronteira terrestre, mas ainda não pode ser chamada de normal. "Ainda temos muitas licenças de importação sem avaliação", disse. Ele confirmou a liberação de perecíveis e mercadorias que estavam em trânsito quando as normas ficaram mais rígidas.
Outro problema, segundo Ciocca, é a estratégia de defesa adotada por algumas empresas. Elas elevaram bastante seus pedidos de licenças de importação, mas vão embarcar apenas as mercadorias que estiverem disponíveis. O artifício, na opinião dele, está congestionando o sistema. (AG).
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